Neste fim de semana eu participei do TEDx São Paulo, evento filho do famoso TED Conference, que já contou com a presença do Al Gore, Jill Bolte Taylor, Ken Robinson, Chris Anderson, Jeff Bezos e várias outras pessoas geniais.

Em termos de conhecimento, TEDx SP foi a melhor experiência que eu já vivi. E, pelo jeito, o Ken Fujioka, também.

TEDxSP
Foto de afranzolim

Foram mais de 12 horas de palestras, com gente de diversas áreas. Todos com o intuito de responder uma só pergunta:

O que o Brasil tem a oferecer ao mundo agora?

A palestra do João Mognon foi a mais provocativa em relação a essa pergunta, porque ele iniciou deixando claro que o Brasil só tem 2 opções e para isso citou:

“Há um certo momento na trajetória de uma nação que ela se considera escolhida. Aí, ela dá o melhor ou o pior de si”
Emil Cioran

Em seguida, Cavalcanti colocou o Brasil lado a lado com os outros países emergentes (BRIC), cada um com seu destaque, sem definir o nosso.

  • Brasil: ?
  • Rússia: Pragmatismo
  • Índia: Capital intelectual
  • China: Mão-de-obra

A resposta brasileira ficou no ar de propósito, mas a Fabíola Amorim, da Talk, já fez um excelente trabalho e consolidou tudo que foi falado no próprio TEDxSP, o que na minha opinião legitima o resultado final.

TEDx São Paulo - Infográfico

TEDx São Paulo - Infográfico

Particularmente, era exatamente isso que eu tinha em mente.

O Denis Russo, em sua palestra, disse que o motor da criatividade dos brasileiros é a grande quantidade de problemas que temos para resolver, porque a inovação é necessariamente responsável por trazer soluções (criativas).

Confirmando isso, eu já li artigos de revistas do exterior rasgando elogios os economistas brasileiros, que ficaram muito bem vistos no mercado, pelo fato do Brasil já ter passado por diversos planos econômicos em sua recente história.

Outro exemplo, mais popular, é o fato de que os principais humoristas do Brasil, como Chico Anysio, Tom Cavalcante e Renato Aragão são do Ceará. Segundo eles mesmos, isso acontece porque o cearense aprendeu a rir da própria desgraça (seca, por exemplo), ao invés de ficar se lamentando.

Criatividade: Conheça João Batista!

João Batista, alagoano morando São Paulo, trabalhava como corretor de imóveis, mas não estava feliz, andava “sem vontade de cantar uma bela canção”. Então, ele comprou o táxi do irmão, que estava encostado.

João Batista: O Seu Táxi

Quando ele começou a trabalhar, percebeu que as pessoas entravam em seu táxi nervosas e o trânsito as deixavam ainda mais, então, a partir deste problema, João começou a pensar em soluções.

Ele tinha que responder uma pergunta nada simples: Como diferenciar-se meio a 32.000 concorrentes (táxis) que prestam exatamente o mesmo serviço?

Então, pensando em diminuir o estresse das pessoas, ele começou a vender água de coco, sucos e até caipirinha dentro de seu táxi. A ideia que parecia genial, com o tempo foi se mostrando um fracasso, porque as pessoas não só não compravam como também paravam de conversar depois que João oferecia os produtos.

Desiludido com sua adega móvel, João começou a distribuir de graça as bebidas que ele tinha comprado para acabar logo com o “estoque”.

O que se viu foi que, em 1º momento, as pessoas não acreditavam que era de graça, bebiam e ficavam super satisfeitas. E, em um sentimento de cumplicidade, os clientes começaram a deixar gorjetas mais altas, como retribuição ao agrado.

Ele até instalou um notebook com acesso à internet em seu táxi para que os clientes possam continuar seus negócios no meio do trânsito.

Ou seja, antes poucos deixavam gorjeta, agora João recebe, em média, R$ 10,00 a mais, o que já é suficiente para cobrir todos estes custos, com boas sobras.

O problema de estresse dos clientes estava resolvido, um modelo de negócio inovador foi criado e o telefone do João não parava de tocar. Todos queriam andar no seu táxi, então ele criou novos serviços, como o Pasnost, que é um passeio noturno pelos pontos turísticos de São Paulo, entre outros.

Eita alagoano inquieto! João não se acomodou ao perceber que tinha um negócio sustentável para ele, mas não para o meio ambiente. Então, começou a calcular as emissões de CO² de seu táxi e engajar as pessoas a ajudá-lo a neutralizá-las, o que teve mais uma ótima receptividade, porque as pessoas se sentiram ainda mais satisfeitas ao perceberem que puderam contribuir para esta boa causa.

Veja um pouco do EcoTáxi em ação:

Link do vídeo no YouTube

João é um exemplo claro de criatividade que o Brasil pode oferecer ao mundo. E, graças aos nossos problemas, ele não está só. Tem a Barraca do Pelé, o barraqueiro que criou o “tapete VIP” na praia, e muitos outros que estão do Oiapoque ao Chuí.