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Eu estava lendo no Continue>>, o melhor blog de games do Brasil, que a água bateu na bunda do pessoal da Sony (Playstation 3) e decidiram se levantar.
Com o intuito de desmistificar que o Playstation 3 é um console caro, a Sony soltou um press release com uma tabela, onde conclui-se que, no final das contas, com todos os principais acessórios, o PS3 têm o melhor custo/benefício do mercado, porque não é o mais caro e é o que mais tem atributos.

Essa ofensiva faz parta da estratégia de voltar à liderança de mercado, posto que a Sony ocupou por 15 anos e hoje amarga o terceiro (e último) lugar.
E esta guerra promete ser dura para a Sony, porque o Nintendo Wii é amado não só por jogadores, pois o console tem uma tecnologia de captura de movimentos sensacional, que atrai de crianças a idosos que nunca jogaram um jogo na vida.
Com isso, o Wii foi a grande sensação dos últimos Natais: 2006, 2007 e 2008.
No início, a Sony estava acompanhando estes números com certo desdém, acreditando que logo o jogo viraria. Mas não virou. O Wii e o Xbox360 avançaram mais ainda, enquanto o poderoso Playstation 3 hibernava.
Este press release indica que agora a Sony vai definitivamente entrar nessa guerra.
Vamos entender um pouco mais sobre estas estratégias de ataque ao líder.
Em geral, o líder nunca deve atacar ou anunciar uma competição. Em vez disso, o líder deve promover sua categoria e investir pesado em inovação.
Quando um líder ataca um concorrente, ou responde a um ataque, ele apenas legitima a existência de uma escolha. Nenhuma das duas opções são boas.
É o que a Sony estava pretendendo. Negar essa competição, afinal os 15 anos na liderança do mercado fizeram com que o Playstation 2 e o 1, respectivamente, fossem os consoles mais vendidos da história com larga vantagem sobre os outros. Assim, seguindo a receita do bolo, o cenário mais óbvio era que o sucesso do PS3 seria uma questão de tempo.
Se sob ataque, o líder deverá resolver qualquer problema via Relações Públicas. Nunca com publicidade.
Quando Apple diz que os consumidores estão frustrados com o Vista em sua publicidade, a Microsoft não deve publicar anúncios dizendo que todos gostam do Vista. Por duas razões simples:
Primeiramente a Microsoft precisa melhorar o Vista, para então usar RP para falar que os bugs foram corrigidos. Em seguida, eles podem fazer propagandas dizendo que o Vista é realmente bom. Ou podem passar a régua e já investir no próximo Windows, que parece que é o que estão fazendo.
Uma marca que tem as melhores chances de obter êxito em um ataque estratégico é uma forte marca número-dois. Uma marca número-dois, bem estruturada e posicionada como oposta do líder, pode utilizar um ataque com o intuito de ganhar atenção e criar polêmica.
Feito isso, só resta torcer para que a concorrência reaja, para dar mais legitimidade à ofensiva.
E agora Nintendo, vai reagir?
Em meados da década de 1980, a Pepsi estava nas nuvens, devido ao sucesso das campanhas Generation Next e Pepsi Challenge.
Nesta época, a Pepsi Challenge promoveu o famoso teste cego com a Coca-Cola e, como esperado, a Pepsi se deu bem melhor. Os especialistas creditaram essa vitória ao ligeiro sabor doce da Pepsi.
Um golpe de mestre da Pepsi, que colheu os frutos deste teste por muito tempo, aumentando muito sua participação de mercado. E a campanha Generation Next veio para complementar estas ações e conquistar os jovens também.
A Pepsi jogou duro e não mediu esforços (financeiros) para contratar o Rei do Pop, Michael Jackson, que estava no auge de sua carreira. Veja como o comercial é direcionado para os jovens:
A Coca-Cola até tentou reagir, colocando Bill Cosby em seus comerciais para defender o sabor não muito doce da Coca-Cola, mas os ataques da Pepsi atingiram em cheio no ego dos diretores da Coca. E fizeram o impensável. Eles mudaram a fórmula secreta da Coca-Cola para, basicamente, ganhar nos testes cegos.
Antes do lançamento da New Coke, a bebida passou por um teste cego com 200.000 pessoas que deram a certeza para a Coca-Cola que a nova fórmula era superior à da Pepsi.
Entretanto, seus milhões de clientes fiéis não aprovaram o novo gosto, fizeram diversos protestos e em menos de três meses a Coca-Cola foi obrigada a trazer de volta a fórmula original, relançada como Coca-Cola Classic. E a New Coke foi deixada para os livros de história.
Se responder a um ataque é uma má idéia, mudar o seu produto então é desastroso.
Este case da Coca-Cola x Pepsi é apenas um de milhares que surgem todos os dias. E acontece de tudo, como:
Atualmente nós estamos vendo a Apple atacando a Microsoft com a campanha PC vs. Mac, a Philips atacando LG, Samsung e Sony ao mesmo tempo com o Desafio Philips, a Dunkin’ Donuts atacando a Starbucks especificamente nos EUA, o Burger King atacando o McDonald’s com a campanha Whopper Virgins e muitos outros. Se você lembrar de mais algum, escreva nos comentários!
Esteja sempre preparado. Defenda suas vantagens competitivas e crie novas.
Este blog é escrito por Alex Frachetta, que fala sobre Marketing, not Advertising. Hoje existem milhares de sites e blogs sobre publicidade e pouquíssimos sobre marketing, o que é um descompasso bastante equivocado, pois estas áreas se complementam e devem sempre ter conceitos alinhados. Em tempos de experiência, relacionamento e fidelização, qualquer desserviço ao cliente pode trazer sérios danos às marcas. Mais?
Alex Frachetta
17/01/09 às 13:48
Para quem se interessou pelo case Coca-Cola x Pepsi, recomendo muito um documentário chamado Mundo Cola, que também conta a história das duas marcas.
No IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0294464/
Fernando_Alves
19/01/09 às 19:49
Alex, acabei de descobrir teu blog e resolvi compartilha-lo com todos os meus amigos do Marketing, Administração e Publicidade. Simplesmente FANTÁSTICO, com muitas referências e exemplos. PARABÉNS!
Estou passando por um momento de reestruturação e relançamento da marca da empresa da qual faço parte (empresa é só para ficar "bonito", na verdade é apenas uma particula subatômica rsrsrsrs).
Atuamos num nicho de mercado relativamente novo (viagens universitárias) e onde nenhum dos concorrentes tem liderança (absoluta ou relativa). Ou seja, é um mercado quase virgem a desbravar. Quase virgem, mas aguerrido, onde as margens são apertadas e o risco elevado.
Neste caso, que tipo de estratégia de ataque você indicaria?
Abraço e obrigado por compartilhar seus conhecimentos neste blog excepcional.
Alex Frachetta
19/01/09 às 20:41
Oi Fernando! Obrigado pelos elogios!
Então, eu acho que no seu caso é melhor você deixar o ataque à concorrência para mais tarde.
Se a sua empresa está saindo do zero, a primeira coisa que deve ser feita é um benchmarking com os principais players. Assim você começa a criar/melhorar suas vantagens competitivas.
A estratégia do Inbound Internet Marketing que eu citei no post anterior, é perfeita para você, porque seu público-alvo nasceu na frente do computador, então a internet é um canal importantíssimo. Sem falar que assim os clientes caem no seu colo. Quer coisa melhor que isso? rrs.s.
Abração!
Gui
20/01/09 às 18:58
Ae Alex!
Acabei de descobrir seu blog também, sou formado em design, mas gosto muito de MKT também, acredito que os dois se completam e muito, esse caso da Sony é fato de que a empresa está preocupada, mas ela sempre foi lider, e acredito que vai superar esse momento…como eu não sei!
Sucesso pelo blog!
Até mais!
Diego Gomes
20/01/09 às 20:37
Cara, ótimo blog. Parabéns
Eris Oliveira
23/01/09 às 03:02
Muito bom o foco do seu site, continue mandando brasa.
Chicko
06/02/09 às 14:27
Muito bom o Blog. Serei leitor assíduo.
O visual mesmo é q impressiona!